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MÚSICA



Pequenos Guerreiros


COMPOSITOR: Gritando HC
DISCO: Ande de Skate e destrua 

Antes mesmo do amanhecer do sol
Se banham em águas frias
Pequenos guerreiros
Vivendo a ansiedade
Da primeira caçada
Com índios mais velhos
Com lanças na mata
Em poucos minutos
Não é tão belo assim
Queimadas e garimpos
Tão perto de mim

Depois da última árvore derrubada
Depois do último peixe pescado
Verei nosso rio poluído
E o homem branco verá
Que o dinheiro não pode ser comido

E o homem branco verá
AAHH
Que o dinheiro não pode ser comido...

Hoje fui perceber então
Tanta destruição
Está acontecendo
Tem calafrio e muito medo lá na oca
Aquela peste é doença de homem branco
Começo a chorar
Pelos muitos que se vão
E aos deuses da floresta, peço proteção

Depois da última árvore
Derrubada
Depois...


Agua Para


COMPOSITOR: RCV
DISCO: não disponível 

"Água pra beber
água pra molhar
água pra acordar
água pra lavar
água para digerir
expelir!
guspir!
cair!
subir!
boair!
mergulhar!
misturar!
destilar!
penetrar!!
evaporar!
congelar!
derreter!
Água pro ouvido entupir
água pra desentupir
água pra regar as flores
água pra limpar a bunda
água para procurar o buraco
água pra energia fabricar
água para o popular, rua molhar
água para a mão lavar
água para pescar
afogar!
cozinhar!
coar!
beber!
queimar!
esfriar!
resfriar!
embolar!
empossar!
represar!
estourar!
irrigar!
sustentar!
água para barco andar
água para afundar
água para celebrar
água para emplorar
água pra viver, água pra morrer
água para filtar para poluir
água pra faltar, água pra brigar
água pra guerrear
falta de água para o mundo acabar!"

Ditadura da Televisão


COMPOSITOR: Ponto de Equilibrio
DISCO: Reggae a Vida com Amor  

"Na infância você chora
Te colocam em frente da tv
Trocando suas raízes
Por um modo artificial
De se viver

Ninguém questiona mais nada
Os homens do poder
Agora contam sua piada
Onde só eles acham graça
Abandonando o povo na desgraça
Vidrados na tv
Perdendo tempo em vão, em vão.

Ditadura da televisão
Ditando as regras, contaminando a nação
Ditadura da televisão
Ditando as regras, contaminando a nação

O interesse dos grandes
É imposto, de forma sutil
Fazendo o pensamento do povo
Se resumir a algo imbecil
Fofocas, ofensas, pornografias
E pornografias, ofensas, fofocas
Futilidades ao longo da programação

Ditadura da televisão
Ditando as regras, contaminando a nação
Ditadura da televisão
Ditando as regras, contaminando a nação

Numa manhã de sol ao ver a luz
Você percebe que seu papel é resistir, não é
Mas o sistema é quem constrói as arapucas
Que você está prestes a cair .. ô ié

Da infância a velhice
Modo artificial de se viver
Alienação
Ainda vivemos aquela velha escravidão
A quela velha escravidão .

Ditadura da televisão
Ditando as regras, contaminando a nação."


Absurdo


COMPOSITOR: Vanessa da Mata
DISCO: Sim (CD Zero) 

" Havia tanto pra lhe contar
A natureza
Mudava a forma o estado e o lugar
Era absurdo

Havia tanto pra lhe mostrar
Era tão belo
Mas olhe agora o estrago em que está

Tapetes fartos de folhas e flores
O chão do mundo se varre aqui
Essa idéia do natural ser sujo
Do inorgânico não se faz

Destruição é reflexo do humano
Se a ambição desumana o Ser
Essa imagem infértil do deserto
Nunca pensei que chegasse aqui

Auto-destrutivos,
Falsas vitimas nocivas?

Havia tanto pra aproveitar
Sem poderio
Tantas histórias, tantos sabores
Capins dourados

Havia tanto pra respirar
Era tão fino
Naqueles rios a gente banhava

Desmatam tudo e reclamam do tempo
Que ironia conflitante ser
Desequilíbrio que alimenta as pragas
Alterado grão, alterado pão

Sujamos rios, dependemos das águas
Tanto faz os meios violentos
Luxúria é ética do perverso vivo
Morto por dinheiro

Cores, tantas cores
Tais belezas
Foram-se
Versos e estrelas
Tantas fadas que eu não vi

Falsos bens, progresso?
Com a mãe, ingratidão
Deram o galinheiro
Pra raposa vigiar"

 Muita verdade na letra.


A Novidade


COMPOSITOR: Gilberto Gil, Bi Ribeiro, Herbert Vianna e João Barone
DISCO: Selvagem? (1986) 

"A novidade veio dar à praia
Na qualidade rara de sereia
Metade, o busto de uma deusa maia
Metade, um grande rabo de baleia

A novidade era o máximo
Do paradoxo estendido na areia
Alguns a desejar seus beijos de deusa
Outros a desejar seu rabo pra ceia

Ó, mundo tão desigual
Tudo é tão desigual
Ó, de um lado este carnaval
Do outro a fome total

E a novidade que seria um sonho
O milagre risonho da sereia
Virava um pesadelo tão medonho
Ali naquela praia, ali na areia

A novidade era a guerra
Entre o feliz poeta e o esfomeado
Estraçalhando uma sereia bonita
Despedaçando o sonho pra cada lado

Ó, mundo tão desigual
Tudo é tão desigual
Ó, de um lado este carnaval
Do outro a fome total"

 De forma inteligente, Gilberto Gil e os Paralamas do Sucesso fizeram uma metáfora que discute o problema da desigualdade social representado por uma sereia que veio a surgir em uma praia. Composta em 1986, a música foi gravada pelos Paralamas no ano seguinte, no disco D.
 Com um refrão bem simples porém com muita verdade, essa música é muito conhecida, mas nem todos já pararam para prestar atenção em sua letra.
 Uma sereia, um ser lendário que representa metade mulher e metade peixe, apareceu na praia e foi alvo de alguns conflitos sociais e culturais. Uns desejam seus beijos de deusa e outros desejam seu rabo pra uma ceia. Ela, que representa uma novidade, na realidade acabou gerando um conflito entre poetas (os mesmos que gostariam de seus beijos) e esfomeados (que gostariam de seu rabo para ceia). Em uma possível interpretação, vemos como a formação social mundial se comporta perante uma situação que surge. Cada um querendo extraír daquilo o que lhe convém e, infelizmente, os pontos de vista são os mais extremos. Nesse caso, fome x prazer, mas que pode ser interpretado como desespero x satisfação, miséria x luxo, entre tantos outros contrastes sociais.
 

 

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