Numa Cidade Muito Longe Daqui
DE: Leandro Sapucahy e Marcelo D2
DISCO: Cotidiano
É isso aí D2...o momento é de caos
A população tá bolada.. muito bolada
Eu também tô bolado parceiro...
Numa cidade muito longe,
Muito longe daqui
Que tem problemas que parecem
Os problemas daqui
Que tem favelas que parecem
As favelas daqui
Existem homens maus
Sem alma e sem coração
Existem homens da lei
Com determinação
Mas o momento é de caos
Porque a população
Na brincadeira sinistra
De polícia e ladrão
Não sabe ao certo quem é
Quem é herói ou vilão
Não sabe ao certo quem vai
Quem vem na contramão
É, não sabe ao certo quem é
Quem é herói ou vilão
Não sabe ao certo quem vai
Quem vem na contramão
Porque tem homem mau
Que vira homem bom
Porque tem homem mau
Que vira homem bom
Quando ele compra o remédio
Quando ele banca o feijão
Quando ele tira pra dá
Quando ele dá proteção
Porque tem homem da lei
Que vira homem mal
Porque tem homem da lei
Que vira homem mal
Quando ele vem pra atirar
Quando ele caga no pau
Quando ele vem pra salvar
E sai matando geral
É parceiro
E aí é que a chapa esquenta
É nessa hora que a gente vê quem é fiel
Mas tanto lá como cá
Ladrão que rouba ladrão
Não tem acerto pedido, terror, terror
Terror não tem perdão
Quem fala muito é X-9
E desses a gente tem de montão
Mais o X do problema
Tá na corrupção
Um dia, o bicho pegou
O coro comeu
Polícia e bandido bateram de frente,
E aí meu cumpadre
Aí tu sabe
Aí foi chapa quente, chapa quente...
Bateu de frente
Um bandido e um
Sub-tenente lá do batalhão
Foi tiro de lá e de cá
Balas perdidas no ar
Até que o silêncio gritou
Dois corpos no chão, que azar
Feridos na mesma ambulância
Uma dor de matar
Mesmo mantendo a distância
Não deu pra calar
Polícia e bandido trocaram farpas
Farpas que pareciam balas
E o bandido falou:
Você levou tanto dinheiro meu
Agora vem querendo me prender
E eu te avisei você não se escondeu
Deu no que deu
E a gente tá aqui
Pedindo a Deus pro corpo resistir
Será que ele tá afim de ouvir?
Você tem tanta bazuca,
Pistola, fuzil e granada
Me diz pra que tu
Tem tanta munição?
É que além de vocês
Nós ainda enfrenta
Um outro comando, outra facção
Que só tem alemão sanguinário
Um bando de otário
Marrento, querendo mandar
Por isso que eu tô bolado assim
Eu também tô bolado sim
É que o judiciário tá todo comprado
E o legislativo tá financiado
E o pobre operário
que joga seu voto no lixo
Não sei se por raiva
Ou só por capricho
Coloca a culpa de tudo
Nos homens do camburão
Eles colocam a culpa de tudo
Na população
{E o bandido...}
E se eu morrer vem outro em meu lugar
{Polícia...}
E se eu morrer vão me condecorar
E se eu morrer será que vão chorar?
E se eu morrer será que vão lembrar?
E se eu morrer... {já era}
E se eu morrer
E se eu morrer... {foi!}
E se eu morrer
Chega de ser subjugado
Subtraído, um sub-bandido de um
Sub-lugar, sub tenente de um
Sub-país, um sub-infeliz
sub infeliz..
LaiálaiálaiálaiálaiáLaiálaiá
subjugado, Subtraído,
um sub-bandido de um sub-lugar,
sub tenente de um sub-país,
um sub infeliz..
Mas essa história
Eu volto a repetir
Aconteceu numa cidade
Muito longe daqui
Numa cidade muito longe,
Muito longe daqui
Que tem favelas que parecem
As favelas daqui
E tem problemas que parecem
Os problemas daqui
Daqui
Daqui
Daqui
É isso aí Sapucahy..
Polícia ou bandido?
vai saber né
Muito Obrigado
DE: Mundo Livre S/A
DISCO: O Outro Mundo de Manuela Rosário
Quem precisa de ordem pra moldar?
Quem precisa de ordem pra pintar?
Quem precisa de ordem pra esculpir?
Quem precisa de ordem pra narrar?
Quem precisa de ordem?
Agora uma fabulazinha
Me falaram sobre uma floresta distante
Onde uma história triste aconteceu
No tempo em que os pássaros falavam
Os urubus, bichos altivos, mas sem dotes para o canto
Resolveram, mesmo contra a natureza, que haviam de se tornar grandes cantores
Abriram escolas e importaram professores
Aprenderam dó ré mi fá sol lá si
Encomendaram diplomas e combinaram provas entre si
Para escolher quais deles passariam a mandar nos demais
A partir daí, criaram concursos e inventaram títulos pomposos
Cada urubuzinho aprendiz sonhava um dia se tornar um ilustre urubu titular
A fim de ser chamado por vossa excelência
Quem precisa de ordem?
Quem precisa de ordem pra escrever?
Quem precisa de ordem?
Quem precisa de ordem pra rimar?
Quem precisa de ordem?
Passaram-se décadas até que a patética harmonia dos urubus maestros
Foi abalada com a invasão da floresta por canários tagarelas
Que faziam coro com periquitos festivos e serenatas com sabiás
Os velhos urubus encrespados entortaram o bico e convocaram canários e periquitos e sabiás
Para um rigoroso inquérito
"Cada os documentos de seus concursos?" indagaram
E os pobres passarinhos se olharam assustados
Nunca haviam freqüentado escola de canto pois o canto nascera com eles
Seu canto era tão natural que nunca se preocuparam em provar que sabiam cantar
Naturalmente cantavam
"Não, não, não assim não pode, cantar sem os documentos devidos é um desrespeito a ordem!"
Bradaram os urubus
E em uníssono expulsaram da floresta os inofensivos passarinhos
Que ousavam cantar sem alvarás
Moral da história: em terra de urubus diplomados não se ouve os cantos dos sabiás
Quem precisa de ordem pra dançar?
Quem precisa de ordem pra contar?
Quem precisa de ordem pra inventar?
Gonzagão, Moringueira
precisa o quê??
Dona Selma, Adoniran
precisa não!
Chico Science, Armstrong
precisa o quê??
Dona Ivone, Dorival
precisa não!
Planeta Agua
COMPOSITOR: Guilherme Arantes
DISCO: Amanhã
Água que nasce na fonte serena do mundo
E que abre um profundo grotão
Água que faz inocente riacho e deságua na corrente do ribeirão
Águas escuras dos rios que levam a fertilidade ao sertão
Águas que banham aldeias e matam a sede da população
Águas que caem das pedras no véu das cascatas, ronco de trovão
E depois dormem tranquilas no leito dos lagos, no leito dos lagos
Água dos igarapés, onde Iara, a mãe d'água é misteriosa canção
Água que o sol evapora, pro céu vai embora, virar nuvem de algodão
Gotas de água da chuva, alegre arco-íris sobre a plantação
Gotas de água da chuva, tão tristes, são lágrimas na inundação
Águas que movem moinhos são as mesmas águas que encharcam o chão
E sempre voltam humildes pro fundo da terra, pro fundo da terra
Terra, planeta água...
Freedom - Liberdade
COMPOSITOR: Rage Against the Machine
DISCO: Rage Against the Machine" - Revolta Contra as Maquinas
Uggh!
Pull, pull
Wuh!
Come on!
Uggh!
Solo, eu sou um solista numa lista de solos
Todo vivo, nunca em um disquete
Inka, inka, garrafa de tinta
Pinturas de rebelião
Redigidas por pensamentos, eu acho
Yeah!
Come on!
O poeta militante em mais uma vez, saca só
Está arrumado como um monte de cartas
Eles estão nos mandando mais cedo para o túmulo
Por todos os diamantes
Eles vão usar um par do naipe de paus para bater os outros naipes
Com poesia eu pinto as fotos que me atingem
Mas do que os murais que eu preparei
Não vire de costas
Encare isso de frente
Mano, você esqueceu seu nome?
Você perdeu ele na parede
Brincando de jogo-da-velha?
Ei, olhe a diagonal
Três manos já se foram
Vamos lá
Isso não faz três em uma coluna?
Raiva é um presente
Vamos lá!
Uggh!
Veja aquilo!
Uggh!
Vamos lá
Yeah
Uggh!
Mano, você esqueceu seu nome?
Você perdeu ele na parede
Brincando de jogo-da-velha?
Ei, olhe a diagonal
Três milhões já se foram
Vamos lá
Por que eles estão contando para trás até chegar no zero
Meio-Ambiente
O meio-ambiente está se excedendo no nível
De nossa falta de consciência
Por exemplo
O que a billboard diz?
Venha e toque, venha e toque
Esqueça sobre o movimento
Raiva é um presente
Liberdade, liberdade, yeah é isso ai!
Pequenos Guerreiros
COMPOSITOR: Gritando HC
DISCO: Ande de Skate e destrua
Antes mesmo do amanhecer do sol
Se banham em águas frias
Pequenos guerreiros
Vivendo a ansiedade
Da primeira caçada
Com índios mais velhos
Com lanças na mata
Em poucos minutos
Não é tão belo assim
Queimadas e garimpos
Tão perto de mim
Depois da última árvore derrubada
Depois do último peixe pescado
Verei nosso rio poluído
E o homem branco verá
Que o dinheiro não pode ser comido
E o homem branco verá
AAHH
Que o dinheiro não pode ser comido...
Hoje fui perceber então
Tanta destruição
Está acontecendo
Tem calafrio e muito medo lá na oca
Aquela peste é doença de homem branco
Começo a chorar
Pelos muitos que se vão
E aos deuses da floresta, peço proteção
Depois da última árvore
Derrubada
Depois...
Agua Para
"Água pra beber
água pra molhar
água pra acordar
água pra lavar
água para digerir
expelir!
guspir!
cair!
subir!
boair!
mergulhar!
misturar!
destilar!
penetrar!!
evaporar!
congelar!
derreter!
Água pro ouvido entupir
água pra desentupir
água pra regar as flores
água pra limpar a bunda
água para procurar o buraco
água pra energia fabricar
água para o popular, rua molhar
água para a mão lavar
água para pescar
afogar!
cozinhar!
coar!
beber!
queimar!
esfriar!
resfriar!
embolar!
empossar!
represar!
estourar!
irrigar!
sustentar!
água para barco andar
água para afundar
água para celebrar
água para emplorar
água pra viver, água pra morrer
água para filtar para poluir
água pra faltar, água pra brigar
água pra guerrear
falta de água para o mundo acabar!"
Ditadura da Televisão
COMPOSITOR: Ponto de Equilibrio
DISCO: Reggae a Vida com Amor
"Na infância você chora
Te colocam em frente da tv
Trocando suas raízes
Por um modo artificial
De se viver
Ninguém questiona mais nada
Os homens do poder
Agora contam sua piada
Onde só eles acham graça
Abandonando o povo na desgraça
Vidrados na tv
Perdendo tempo em vão, em vão.
Ditadura da televisão
Ditando as regras, contaminando a nação
Ditadura da televisão
Ditando as regras, contaminando a nação
O interesse dos grandes
É imposto, de forma sutil
Fazendo o pensamento do povo
Se resumir a algo imbecil
Fofocas, ofensas, pornografias
E pornografias, ofensas, fofocas
Futilidades ao longo da programação
Ditadura da televisão
Ditando as regras, contaminando a nação
Ditadura da televisão
Ditando as regras, contaminando a nação
Numa manhã de sol ao ver a luz
Você percebe que seu papel é resistir, não é
Mas o sistema é quem constrói as arapucas
Que você está prestes a cair .. ô ié
Da infância a velhice
Modo artificial de se viver
Alienação
Ainda vivemos aquela velha escravidão
A quela velha escravidão .
Ditadura da televisão
Ditando as regras, contaminando a nação."
Absurdo
COMPOSITOR: Vanessa da Mata
DISCO: Sim (CD Zero)
" Havia tanto pra lhe contar
A natureza
Mudava a forma o estado e o lugar
Era absurdo
Havia tanto pra lhe mostrar
Era tão belo
Mas olhe agora o estrago em que está
Tapetes fartos de folhas e flores
O chão do mundo se varre aqui
Essa idéia do natural ser sujo
Do inorgânico não se faz
Destruição é reflexo do humano
Se a ambição desumana o Ser
Essa imagem infértil do deserto
Nunca pensei que chegasse aqui
Auto-destrutivos,
Falsas vitimas nocivas?
Havia tanto pra aproveitar
Sem poderio
Tantas histórias, tantos sabores
Capins dourados
Havia tanto pra respirar
Era tão fino
Naqueles rios a gente banhava
Desmatam tudo e reclamam do tempo
Que ironia conflitante ser
Desequilíbrio que alimenta as pragas
Alterado grão, alterado pão
Sujamos rios, dependemos das águas
Tanto faz os meios violentos
Luxúria é ética do perverso vivo
Morto por dinheiro
Cores, tantas cores
Tais belezas
Foram-se
Versos e estrelas
Tantas fadas que eu não vi
Falsos bens, progresso?
Com a mãe, ingratidão
Deram o galinheiro
Pra raposa vigiar"
Muita verdade na letra.
A Novidade
COMPOSITOR: Gilberto Gil, Bi Ribeiro, Herbert Vianna e João Barone
DISCO: Selvagem? (1986)
"A novidade veio dar à praia
Na qualidade rara de sereia
Metade, o busto de uma deusa maia
Metade, um grande rabo de baleia
A novidade era o máximo
Do paradoxo estendido na areia
Alguns a desejar seus beijos de deusa
Outros a desejar seu rabo pra ceia
Ó, mundo tão desigual
Tudo é tão desigual
Ó, de um lado este carnaval
Do outro a fome total
E a novidade que seria um sonho
O milagre risonho da sereia
Virava um pesadelo tão medonho
Ali naquela praia, ali na areia
A novidade era a guerra
Entre o feliz poeta e o esfomeado
Estraçalhando uma sereia bonita
Despedaçando o sonho pra cada lado
Ó, mundo tão desigual
Tudo é tão desigual
Ó, de um lado este carnaval
Do outro a fome total"
De forma inteligente, Gilberto Gil e os Paralamas do Sucesso fizeram uma metáfora que discute o problema da desigualdade social representado por uma sereia que veio a surgir em uma praia. Composta em 1986, a música foi gravada pelos Paralamas no ano seguinte, no disco D.
Com um refrão bem simples porém com muita verdade, essa música é muito conhecida, mas nem todos já pararam para prestar atenção em sua letra.
Uma sereia, um ser lendário que representa metade mulher e metade peixe, apareceu na praia e foi alvo de alguns conflitos sociais e culturais. Uns desejam seus beijos de deusa e outros desejam seu rabo pra uma ceia. Ela, que representa uma novidade, na realidade acabou gerando um conflito entre poetas (os mesmos que gostariam de seus beijos) e esfomeados (que gostariam de seu rabo para ceia). Em uma possível interpretação, vemos como a formação social mundial se comporta perante uma situação que surge. Cada um querendo extraír daquilo o que lhe convém e, infelizmente, os pontos de vista são os mais extremos. Nesse caso, fome x prazer, mas que pode ser interpretado como desespero x satisfação, miséria x luxo, entre tantos outros contrastes sociais.
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